Neste sábado (23) foi realizado o primeiro meetup da Base de TI da Unidade Classista/MG. Discutindo o importante tema da saúde mental no mundo do trabalho, o encontro “Enfrentando a máquina de moer gente” foi realizado na sede do Sindados e contou com boa presença dos trabalhadores da categoria. O auditório, gentilmente cedido pela direção do sindicato, recebeu o psicólogo Rafael Costa para uma excelente palestra sobre o adoecimento mental dos trabalhadores e a relação destes problemas, cada vez mais visíveis, com o modo capitalista de produção.

Após a exposição, os colegas presentes formaram uma roda de conversa com intensa troca de experiências sobre o dia a dia dos profissionais de TI, identificando diversos problemas que são comuns a empresas de todos os portes e cargos de todos os tipos. Entre as dores mais frequentes ficou claro que a categoria sofre de um problema de excesso de carga horária, onde não há mais distinção entre o horário de trabalho e a vida pessoal do funcionário.

As empresas se utilizam dos mais variados artifícios para manter os trabalhadores sempre ligados ao serviço. Muito frequentemente há o fomento de uma cultura corporativa onde o profissional é pressionado a usar o que seria seu tempo livre em atividades também relacionadas ao seu trabalho – confraternizando apenas com seus colegas de time, levando trabalho para casa, pensando o tempo inteiro nos problemas a serem resolvidos, oferecendo “benefícios” que o mantenha mais tempo dentro da empresa mesmo após sua jornada, etc. O funcionário é moldado para deixar de ser uma pessoa com capacidade e independência e se torna mais um ativo da empresa, perdendo sua identidade aos poucos. Ao longo dos anos este conjunto de práticas recebeu vários nomes – cultura de dono, vestir a camisa da empresa, etc. As consequências são imensas e muitas vezes deixam sequelas permanentes, com problemas de saúde física e mental de difícil tratamento.

De forma simplificada, entendemos que o proletário receberá apenas o mínimo necessário para sobreviver e desempenhar seu trabalho, e a forma meramente econômica de encarar as diferentes profissões leva muitos profissionais de TI a se verem como pequeno-burgueses devido ao padrão de vida um pouco mais elevado que a maioria da sociedade. Nada mais longe da verdade do que esta falsa auto-imagem, pois o trabalhador continua dependendo da venda de sua força de trabalho para ter como viver, enquanto os lucros seguem indo para os patrões e burgueses.

A exploração do trabalho continua tão presente entre os trabalhadores de TI quanto nas outras profissões. As formas de mascarar esta mesma exploração apenas são mais sutis e sofisticadas, mas servem ainda ao mesmo fim: que seu trabalho gere cada vez maiores lucros para as empresas. Vemos nossos colegas cada vez mais esgotados mentalmente, desumanizados e despersonalizados, enquanto nossos patrões ostentam lucros, viagens e luxo de forma descarada em troca de um tapinha nas costas e três palavras na festa de fim de ano: “vocês são f*das!”

Sim, somos f*das. Somos tão f*das que sem o nosso suor, sem o nosso trabalho, riqueza nenhuma pode ser produzida. Um mundo sem trabalhadores é impossível, mas um mundo sem patrões vai libertar a humanidade da exploração.