A categoria entrou na campanha salarial com uma pauta de reivindicações muito mais avançada do que em anos anteriores, e foi à luta com uma mobilização mais ampla e organizada. Pela primeira vez em muitos anos, dezenas de trabalhadores – desenvolvedores das mais diversas tecnologias, designers, técnicos de suporte, analistas de customer success e pós-venda, DBAs, arquitetos, líderes técnicos, etc – sentiram a urgência que a conjuntura apresentava e se movimentaram em defesa dos seus salários e direitos. A diretoria do sindicato também melhorou qualitativamente sua atuação, em especial com o aumento da distribuição de seu boletim Toques e Dados. O nível inédito de engajamento dos profissionais da tecnologia da informação criou um clima de otimismo que contrastava com o duro enfrentamento projetado pelos patrões, que queriam reajuste zero e fim de todos os direitos garantidos pela Convenção Coletiva da categoria.

À primeira vista, parece risível os 3,28% de reajuste conquistado contra 15% reivindicados. Mas quando comparado com o cenário dos outros sindicatos da categoria no resto do país, e com a situação geral das negociações no Brasil para todos os trabalhadores, o resultado alcançado se torna uma grande vitória. O valor corresponde ao INPC – Índice Nacional de Preços ao Consumidor, índice de inflação medido pelo IBGE – do período, além de termos mantido todos os direitos da Convenção anterior. Entre os trabalhadores de TI, apenas outros dois sindicatos – o do Ceará e o do Espírito Santo – conseguiram reajuste equiparado com a inflação, enquanto o resto do país teve perda salarial e de direitos. Há casos em que a Convenção Coletiva está atrasada quase dez meses, como em São Paulo, por disputas na Justiça impostas pelos patrões.

Podemos tirar algumas importantes lições desta campanha salarial. Apesar do número reduzido de assembleias convocadas pela diretoria do sindicato, a atuação organizada foi importante para acelerar as negociações. Em contraste com os anos anteriores, o sindicato patronal entregou o índice da inflação muito mais rapidamente – certamente a agitação inédita feita pelos trabalhadores contribuiu para isto, panfletando nas portas das empresas, explicando a situação durante os meetups, etc, não ficando despercebido pelas empresas.

O movimento dos profissionais das empresas de tecnologia da informação não pode parar por aqui. A campanha salarial de 2020 deve começar desde já, aumentando cada vez mais a quantidade dos nossos colegas conscientes da importância da organização coletiva para garantir um resultado que seja verdadeiramente bom no próximo ano. Não apenas pela nossa categoria: também para que trabalhadores e trabalhadoras de todo o país tenham um exemplo de sucesso no qual possam mirar durante suas próximas lutas.

Esta mobilização permanente deverá ser feita em diversas frentes, em todas as oportunidades possíveis. Sabemos que há inúmeros problemas dentro das empresas que vão além dos salários. Crunch time e horas extras nunca compensadas, assédio moral e sexual, metas irreais que consomem a saúde mental dos trabalhadores, desculpas furadas para não pagar PLR no fim do ano, carreiras engessadas que prendem os empregados a cargos mal pagos para sempre, e uma infinidade de outras situações que nos prejudicam diariamente, das mais variadas formas. A Unidade Classista está de portas abertas para quem quiser se juntar nessa luta!