No mês de agosto aconteceu a nona edição da BrazilJS em Porto Alegre/RS, que contou com dois dias de palestras e muita interação entre a comunidade.

Como destaques técnicos tivemos o Ivy, um otimizador do Angular que faz com que o pacote seja bem menor do que o normal - foram duas palestras com esse tema. Além disso, Leo Balter traz novidades sobre as novas versões do ECMAScript, como APIs de internacionalização que incluem datas, moedas e textos. Isso mostra que o JavaScript está, evidentemente, alçando voos cada vez maiores e mais consistentes. A Mozilla também esteve presente e apresentou seu TTS, uma biblioteca que transforma textos em áudios – como sugere a sigla, Text-To-Speech. A Google falou sobre o AMP – Accelerated Mobile Pages, framework que otimiza as páginas para dispositivos móveis para quem entra no site via seu buscador. GraphQL, Machine Learning em JavaScript, Worker DOM (trabalhar o DOM em background para aumentar performance no navegador) e VR para Web (Web VR) foram mais alguns dos temas expostos em Porto Alegre.

A palestra mais aguardada foi a do Mattias Petter Johansson, do canal Fun Fun Function, no final do primeiro dia. MPJ, como é conhecido, falou sobre como transformar seu sistema construído em “código macarrão” em algo que fosse melhor para a manutenção. Em vez de seguir um viés técnico, ele aborda uma visão humana sobre o processo. Essa forma de pensar o desenvolvimento sido bastante comum atualmente, tratando a área de TI de um ponto de vista das relações entre pessoas.

Mas falar de tecnologias era óbvio no maior evento de JavaScript do mundo, certo?

A BrazilJS esse ano teve um apelo social muito maior do que nos outros anos. Por exemplo, tivemos um vídeo de mais de 20 minutos sobre depressão, algo que fez muita gente se esforçar para não chorar. Nossa área está contaminada por essa praga e temos que conversar mais sobre isso. O mesmo Leo Balter que deu uma excelente palestra sobre a evolução da especificação da linguagem ainda aproveitou seu status como figurão do TC39 para tocar em assuntos importantes fora da tecnologia. Falou sobre desmatamento na Amazônia e também sobre os mais de 500 dias que se passaram desde o assassinato de Marielle Franco, reforçando que até agora o crime não foi solucionado e nenhum culpado foi devidamente condenado. O evento foi encerrado com a palestra de William Oliveira, apresentando o tema “Ascensão social pelo apoio das comunidades de programação”. Se pensava que ele falaria sobre empreendedorismo e afins, porém sua apresentação trouxe uma crítica duríssima à ilusão da meritocracia na categoria, além de ressaltar importância dos trabalhadores e trabalhadoras de TI se conscientizarem sobre o momento político que vivemos atualmente. A palestra final do evento não poupou críticas ao atual presidente Jair Bolsonaro e seus seguidores, esquentando o frio de 10 ºC de Porto Alegre!

A BrazilJS desse ano mostra a importância de ir além do óbvio. Obviamente são importantes as várias palestras técnicas inspiradoras, mas é igualmente necessário pensar no social, na formação de consciência política. A categoria de TI é uma das mais exploradas no sentido de extração de mais valia, portanto, reflexões desse tipo sempre são bem-vindas. Que seja o início de um grande movimento na comunidade, entendendo que pessoas são mais importantes que código!