Após mais uma rodada de negociação entre o Sindados e a entidade patronal, as empresas emitiram uma nota cínica que revela suas reais intenções nesta campanha salarial. O Sindinfor, representante, dos patrões, mostra sua real face ao tentar emperrar de vez a renovação da Convenção Coletiva de Trabalho lançando mão de argumentos ridículos e mentirosos. Tentando combater supostas “inseguranças jurídicas”, o clubinho dos donos de empresas tenta, na verdade, jogar a própria negociação coletiva no lixo.


Enquanto as empresas acusam o Sindados de agir com um “viés ideológico”, o Sindinfor atua por sua vez de forma canalha e enganadora.
O objetivo do sindicato patronal é retirar de uma vez por todas os direitos conquistados pela categoria ao longo de décadas. O que os patrões chamam de “insegurança às práticas laborais” nada mais é do que o conjunto de melhorias em relação ao mínimo garantido pela CLT, mínimo esse que é cada vez mais rebaixado pelos engravatados que estão em Brasília votando leis no Congresso e assinando MPs no Planalto contra quem trabalha. Ao falar de “descumprimentos inevitáveis” da atual Convenção Coletiva de Trabalho os patrões admitem que já estão agindo a margem da lei há tempos. As máscaras caem enquanto seus lucros sobem cada vez mais.

Os caminhos “adequados e justos para a satisfação dos direitos dos empregados” que as empresas querem apresentar são, na verdade, a retirada de todos os direitos – afinal, se não houverem direitos a serem satisfeitos, todos os direitos estarão satisfeitos. Uma lógica bastante simples de ser desvelada por trabalhadores de uma área que lida com lógicas complexas o tempo inteiro, mas, ainda assim, segue encoberta por um discurso denso e pesado dos donos das companhias, discurso ainda mais ideológico do que o que acusam o sindicato dos trabalhadores.
Nas últimas semanas os trabalhadores, e não apenas os da categoria de TI, foram surpreendidos com notícias de um aumento galopante nos preços dos alimentos e da moradia, com contratos de aluguéis sendo reajustados em mais de 17% para o próximo período. Que o sindicato patronal se apegue a um índice defasado para dizer que os trabalhadores representados pelo Sindados estejam pleiteando um aumento acima da inflação apenas mostra sua cara-de-pau sem verniz algum.
Numa momento em que as reclamações da categoria sobre jornadas extenuantes, horas extras que não são pagas, direitos que são sucessivamente violados e perseguição a funcionários que demonstram sua insatisfação, enquanto o monstro da inflação volta a mostrar suas garras para a população trabalhadora, o aceno com o reajuste de 2,8% em troca do fim da CCT é um escárnio, um cuspe na cara de cada pessoa que trabalha nas empresas representadas pelo Sindinfor.

O que está em jogo nesta negociação não é mais apenas as porcentagens sobre os salários. A nota do Sindinfor é uma verdadeira declaração de guerra contra a categoria, dando carta branca para que as empresas violem todos os direitos que quiserem violar. A postura serena e a aparência de sensatez e objetividade do sindicato patronal é apenas um teatro para encobrir suas reais intenções. É o verdadeiro viés ideológico que eles dizem enfrentar, escondendo a realidade e enganando a plateia. É uma máscara que nós, trabalhadores de tecnologia da informação, devemos arrancar. Nem que seja à força.