Terminadas as campanhas políticas municipais, o sindicato patronal finalmente voltou à mesa de negociação. Após semanas dedicados a tentar eleger seus candidatos preferidos à prefeitura e à câmara de Belo Horizonte, com pífios resultados eleitorais de seus pupilos, os patrões finalmente voltaram ao mundo real para falar com os representantes dos trabalhadores. O Sindados pretende fazer uma live nesta quarta-feira (25/11), às 19h, para explicar em pormenores a situação da negociação da data-base.

As empresas retomam o já esperado caminho de atacar diretamente os trabalhadores. O sindicato patronal continua insistindo em um índice de reajuste salarial de 2,8%, completamente defasado em relação à inflação do período (4% no acumulado dos últimos 12 meses), representando uma desvalorização real de nossos salários. Não bastasse, exigem o congelamento do valor do tíquete refeição, enquanto o preço dos alimentos básicos segue em disparada. O custo de habitação segue as mesmas altas: os contratos de aluguéis são reajustados em valores acima dos 18%, corroendo rapidamente o poder de compra dos trabalhadores. Além disso, segundo apuramos junto à direção do Sindados, o já pequeno reajuste salarial seria pago de forma parcelada.

As empresas querem também rebaixar ainda mais a cláusula de banco de horas, permitindo que os trabalhadores trabalhem jornadas ainda mais longas sendo compensados de forma pior do que hoje, com índices menores e prazos maiores. O pagamento de PLR também não está garantido pelas empresas, que pararam de tentar fingir prejuízos e agora querem tirar de vez a obrigatoriedade de pagamento.

Avançando além destes ataques diretos ao bolso de quem trabalha com TI, os patrões querem asfixiar financeiramente a principal defesa dos trabalhadores: o sindicato. Querem a retirada da taxa de fortalecimento na negociação deste ano, abrindo caminho para que todo tipo de abuso seja cometido e o nosso sindicato não tenha estrutura para intervir. Vale lembrar quantos abusos trabalhistas denunciados à Unidade Classista e diretamente ao Sindados que se converteram em apoio jurídico, notificações e multas às empresas e em reparo financeiro para os trabalhadores nos últimos anos. Num momento em que a categoria está sendo escorraçada com jornadas absurdamente longas, cortes ilegais de benefícios e todo tipo de pressão e assédio moral, os funcionários sofrem um duro golpe com o enfraquecimento do sindicato.

Esta é sem dúvida a negociação mais difícil e o ataque mais forte desferido contra a categoria em muitos anos. O ambiente de ataques aos trabalhadores construído nos últimos anos, desde o estelionato eleitoral praticado por Dilma Rousseff e Joaquim Levy até a bandidagem miliciana liberal de Jair Bolsonaro e Paulo Guedes, fica mais duro a cada ano e propicia que as entidades patronais ajam como bem quiserem. As já poucas garantias que os trabalhadores tem, tanto na nossa categoria quanto nas outras, são sucessivamente retiradas com o claro objetivo de fazer nosso trabalho custar para eles apenas o mínimo, enquanto seus lucros são máximos. É fundamental que voltemos a nos mobilizar para impedir que nossa CCT seja destruída na negociação coletiva deste ano, servindo de exemplo para que os trabalhadores de outras categorias se espelharem e também voltarem a colher vitórias para a classe trabalhadora.

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