Hoje é dia de greve dos entregadores por melhores condições de trabalho e contra a exploração que sofrem pelas empresas de TI, desenvolvedoras desses aplicativos!

É importante deixar claro: os serviços de entrega e transportes por aplicativos são muito importantes, mas o que está em questão é a relação de trabalho dessas empresas com os trabalhadores. Isso posto, existe um novo termo, a uberização[1], que explica bem que essas relações de trabalho como fruto da proposta de exploração máxima de cunho neoliberal: corta-se, primeiramente todas as relações formais de trabalho, por exemplo, carteira assinada, para retirar os direitos trabalhistas. Agrega-se o fato de que os meios de transporte (carros, motos, bicicletas, etc) são obtidos e mantidos pelos próprios trabalhadores, sem nenhuma contrapartida das empresas de aplicativos. Não há salário fixo, ao contrário, ganha-se por prestação de serviço e o valor é muito baixo. Além disso, existe um sistema de “gamificação” que premia os prestadores de serviço por entregas mais rápidas, quantidade de serviços prestados por tempo, etc, forçando os trabalhadores a diminuir a segurança e aumentar a carga de trabalho, em busca de um mínimo ganho.

Do ponto de vista do trabalhador, existe uma grande dependência do aplicativo e de todo o sistema de exploração, afinal, ganha-se mais dinheiro quem fica mais dependente dele, mas perde-se o direito de ter 8 horas de trabalho e horas extras pagas, além de não terem direitos a licenças quaisquer por saúde, invalidez, acidentes, férias, 13o terceiro, descanso em determinados dias da semana, enfim, é a precarização levada ao último limite. Do lado das empresas, tem-se somente que dar suporte técnico aos aplicativos, o que é uma atividade altamente rentável.

Com a pandemia, esses serviços, principalmente os de entrega, tornaram-se muito importantes, mas são os trabalhadores os mais expostos aos riscos de contaminação. Associado com a discussão sobre superexploração supracitada, as reivindicações de setores que constroem a greve de hoje são:

  • Jornadas de trabalho e folgas fixas sem diminuição de salários;
  • CLT para todos os trabalhadores de aplicativos, com adicional noturno e periculosidade;
  • Auxílio-transporte revertido para o combustível;
  • Plano de saúde;
  • Seguro de roubo, acidente e de vida;
  • Auxílio pandemia (EPI’s e licença);
  • Fim dos bloqueios e desligamentos indevidos dos trabalhadores.

Como trabalhadores de TI, no dia 1º de julho é importante não usar tais aplicativos assim como se conscientizar, divulgar para nossos pares, colegas de outras categorias e ajudar no que for possível, seja nas redes sociais ou nas manifestações de rua onde houverem (tomando todos os cuidados com a saúde possíveis). Isso é importante porque uma parte do lucro dos empresários dessas empresas são oriundos do nosso trabalho também e queremos nossos parceiros que estão na linha de frente das entregas e transportes com condições dignas de exercerem seus trabalhos.

[1] - Fontes, Virgínia. Capitalismo em tempos de uberização: do emprego ao trabalho, 2017