Parte 1: Alphabet Workers Union

No início de 2021 os trabalhadores da Alphabet Inc, conglomerado dono da conhecida Google, formaram a Alphabet Workers Union (AWU), um Sindicato afiliado ao Communication Workers of America (CWA), abrindo um precedente histórico na organização e luta dos trabalhadores de TI, nos Estados Unidos.

O Sindicato surge como um amadurecimento da percepção das relações de trabalho, e portanto de classe, dentro da companhia. A perda do diálogo e capacidade de atuação dos trabalhadores na solução de problemas e abusos internos, despertaram nos trabalhadores a necessidade da construção de uma estrutura organizativa formal para suas lutas. Esse cenário exemplifica a evolução das contradições do capital no ambiente de trabalho, materializadas nos direcionamentos financeiros de obtenção de lucro acima de tudo, precarização do trabalho, imposições de projetos e condutas incompatíveis com os valores dos funcionários, ações coercitivas e de retaliação às lutas e demandas dos trabalhadores. Mesmo que pouco perceptíveis em suas fases iniciais e de expansão dos negócios, essas contradições não tardam a se mostrar como causa e consequência, do incessante ciclo de exploração do trabalho e acumulação de capital.

Diferente do modelo sindical brasileiro (por categoria trabalhista), o modelo estadunidense é dissipado em Sindicatos (Unions) por empresas, portanto, se apresentando bastante pulverizado e enfraquecido, em meio às pressões anti sindicais do país, em especial pelas empresas do Vale do Silício. Inicialmente forjadas nas falácias ideológicas liberais, assim chamadas “Culturas de Startup”, diversas empresas de TI se consolidaram e se agigantaram com os avanços e expansões tecnológicas na sociedade, majoritariamente financiados por dinheiro público, através do Departamento de Defesa dos EUA. Devido às suas escalas iniciais ainda reduzidas, imersas em um mercado com alta demanda por produtos e serviços tecnológicos de alto valor agregado e com grande potencial econômico; pela necessidade de mão de obra altamente especializada, além de concepções subjetivas que favoreciam uma diferenciação dos modelos corporativos rígidos na gestão dos negócios, o boom das Startups e negócios de TI, trouxeram, a principio, menores pressões salariais com alta demanda de emprego, se comparadas com outras categorias. Trouxe também uma série de flexibilizações, que em seus aspectos técnicos e organizativos corroboraram para a adaptação e evolução dos processos de trabalho, mas que em sua face das relações de trabalho, indicaram também  novas formas de influência, dominação, exploração e superexploração de seus trabalhadores diretos, indiretos e mesmo de seus consumidores ou usuários.

Percebendo às inevitáveis contradições do capitalismo, materializadas em suas relações profissionais, a organização dos trabalhadores (de tempo integral, temporários e terceirizados) da Alphabet Inc. em um Sindicato é um marco nas lutas dos trabalhadores do Vale do Silício e da TI em geral, tendo um ambiente fértil e abrangente o suficiente para travar lutas da mais pura esfera econômica, passando pelas objetividades e subjetividades da qualidade de vida no trabalho até o empoderamento e reconhecimento de seu papel classista, nos rumos das formas e frutos de seu trabalho.

Que a voz de Lênin chegue aos seus ouvidos e os fortaleça! Que os ventos de lá, tragam mudanças aqui também, numa classe tão conectada, mas tão distante pela contaminação ideológica do liberalismo! Viva a luta sindical! Viva a organização dos trabalhadores! Viva a luta de classes!