O Comitê de Base dos Trabalhadores de TI da Unidade Classista de Minas Gerais entende que estamos diante de uma situação que envolve saúde pública, economia e política de grande gravidade e complexidade.

O Coronavírus mostra-se letal para pessoas de todas as idades, tendo mais mortes no que chamamos de “grupo de risco”, que são os idosos, doentes com doenças crônicas, problemas de respiração, coronários, diabetes, etc. Além disso, nas próximas semanas está previsto um grande aumento no número de casos, o que pode fazer com que nosso sistema de saúde já entre em colapso em abril. Entendemos que as recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS) de ficarmos em casa se torna a principal ferramenta para evitar o contágio e proliferação do Coronavírus. O trabalho em home office tem que ser algo praticado em todas as empresas de TI, portanto.

A economia terá reflexos danosos oriundos da pandemia associada com a crise sistêmica e estrutural do capitalismo. Se não existisse o Coronavírus, o crescimento brasileiro de 2020 já era dado como ridículo, algo como 1,1% - o tão chamado “pibinho”. Em isolamento, a economia vai girar mais lentamente o que fará com que postos de trabalho sejam fechados.

Esse cenário tem um grau mais complexo quando vemos que várias empresas de TI se mantém via rodadas de investimento e em uma crise mundial, a probabilidade de haver investimentos diminui drasticamente, o que gerará desemprego em nossa área. À todas e todos os trabalhadores de TI: colocamos à disposição o e-mail do Comitê de Base para denúncias de demissões, demissões sem o pagamento dos direitos trabalhistas, super exploração, etc. Enviem para contato@uctimg.org que enviaremos sigilosamente para o Sindados MG (sindicato dos trabalhadores de TI de Minas Gerais) e todas as providências serão tomadas no campo jurídico.

Por fim, no quesito político, vivemos um momento draconiano. A extrema direita, formada por setores ultra-liberais com inclinações fascistas, pressiona para que os trabalhadores rompam a quarentena e continuem trabalhando normalmente, o que podemos ver claramente no discurso oficial de Bolsonaro emitido essa semana mais o decreto de Romeu Zema, governador de Minas Gerais, já autorizando a abrir serviços não essenciais para a população. Associa-se a isso o uso indevido de dinheiro público para fazer a campanha “O Brasil Não Pode Parar” do governo federal. O jogo de cartas que Bolsonaro joga é simples: salvar a economia o que lhe confere popularidade, porém, deixando as pessoas morrerem. Zema surfa na onda de Bolsonaro, afinal, é o que o elegeu. Porém, de acordo com dados científicos, caso não haja quarentena (e até mesmo lock down), mais de 1 milhão de pessoas podem morrer no Brasil. Devemos fortalecer a oposição à Bolsonaro e Zema nas redes sociais e nos panelaços nesse primeiro momento até que, quando a pandemia tiver passado, vamos deruba-los nas ruas.

A Unidade Classista e o Sindados MG são amigos dos trabalhadores de TI, em todos os momentos, principalmente agora.